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janeiro 12, 2005

A democratização do Parlamento

Vicente Jorge Silva disse algures (não sei bem onde pois vi nos “ditos” do Público de raspão) que o próximo parlamento será dos mais cinzentos do pós 25 de Abril (até foi mais longe mas não me lembro bem e não quero aldrabar…)

De facto, vendo a saída (por vários motivos) de figuras marcantes da nossa Assembleia e observado as lutas de poleiro, as tricas e os nomes (e especialmente os curriculuns)dos próximos candidatos, temos de concordar com ele…

Mas, não será isto, um sinal do amadurecimento da nossa Democracia (e digo isto com um sorriso amarelo, já explicarei porquê)?

Passo a explicar, fazendo um paralelismo: desde há já alguns anos que ouvimos falar que as nossas escola estão em crise, que os nossos alunos estão piores, que não sabem nada, que não respeitam os professores etc., etc., etc...

De facto, quando nas nossas escola apenas andavam as elites; quando os que tinham ritmos diferentes eram esquecidos e os que tinha diferentes referências culturais eram obliterados; quando apenas a 4 º classe era obrigatória (a 3ª para as raparigas); quando era mais importante decorar os ramais e apeadeiros do nosso Portugal que aprender a pensar, e heresia das heresias, aprender a ser autónomo; quando a nossa sociedade era composta por génios, inteligentes, normais, medíocres e ineducáveis (como hierarquizou Marcello Caetano, ainda era professor na Universidade) e para as médias só contam os “sobreviventes” do sistema”, esquecendo-se dos que saíram fora do comboio em andamento (como fazem os colégios privados colocados em primeiro lugar dos rankings e, infelizmente, já algumas das escolas públicas).

Qua a média dos nosso alunos tenha baixado até posso admitir (o que, como professor, até duvido que hoje, ainda seja verdade, mas como sou moço novo não posso comparar) mas, e a nossa população em geral? Estamos mais “instruídos” (uma palavra que não gosto muito mas que para aqui serve) mais “educados” (outra que dá pano para mangas).

A massificação do ensino da década de 70 levou a que, para poder integrar todos, se “baixasse o grau de exigência” (se os meus profs da faculdade me vissem a escrever estas coisas, com tanto simplismo, tinham-me chumbado umas 4 vezes de seguida, mas não é esta uma conversa científica, é uma conversa de intuições, para os não iniciados nas artes das Ciências da Educação). Assim, em vez de poucos saberem muito e muitos não saberam nada (além das trivialidade a la “Quem quer ser milionário, perguntas até 500 euros”), muitos sabem alguma coisa…E se muitos sabem alguma coisa, mais sabem muita coisa (a teoria da pirâmide).

Em média somos mais “educados” (lá esta está palavra outra vez.)

Há uma maior percentagem da população com a Universidade, com o secundário, com a escolaridade obrigatória (que é quase de 12 anos).

Ou seja, é mais fácil para cada um ter acesso à educação. Qualquer um pode ser doutor…e isto, apesar da carga negativa que tem, em última analise é bom!

Assim poderá ser o que se esta a passar no nosso Parlamento. Qualquer um pode ser deputado. Está assim mais democrático o nosso parlamento, onde o "picheleiro", o "engenheiro", o "doutor" e agora o "boy", o "jota" o "ex jota", o "yesmen", o "professor" e o "empregado bancário" se juntam para fazer funcionar a nossa democracia...

Mas se é uma fase do nosso desenvolvimento, (e aqui explico o sorriso amarelo) deverá ser aquilo que normalmente chamamos a “idade parva”

Publicado por mestre andré às janeiro 12, 2005 01:59 PM