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fevereiro 01, 2005

A (não) necessidade da quotas

Segundo um estudo da União de Sindicatos do Algarve, as mulheres que ocupam cargos importantes no Algarve, não estão de acordo com introdução de quotas para as mulheres.

Eu, que por princípio também acho que não (é uma vergonha para todos, mulheres e principalmente homens, se tal tiver de acontecer, pois significa que apesar de já começarmos a ter alguns anos de democracia, ainda não conseguimos resolver estes problemas óbvios) gostaria de tecer os seguintes comentários:

O inquérito foi realizado a mulheres de sucesso, que singraram na vida pelo seu proprio pé. Mas por cada uma que atingiu o sucesso, quantas ficaram pelo caminho?

Para a generalidade das inquiridas, a passagem pelo associativismo, o apoio da família, amigos e colegas, a persistência e a capacidade de diálogo foram factores determinates. E as que tiveram de ficar em casa após o primeiro filho, porque o marido não é homem para ficar em casa ou está muito ocupado, que não tiveram esse apoio dos familiares, que não foram suficientemente persistentes (sabendo que esta "persistência" requerida não é igual para homens e mulheres), ou sequer que nunca tiveram a oportunidade de pertencer a uma associação? E aquelas que depois de terem passado por muito decidiram "estar-se simplemesmente a cagar para isto" tal são os sapos que se têm de engolir?

Se o inquérito fosse realidado a estas, os resultados seriam os mesmos?

É bom que não nos baste este estudo (tipo se elas dizem que não, não vale a pena falar disso...) sabendo que não resolver estes problemas é contribuir para falência de um verdadeiro sistema democrático.

Sendo contra, seria com amargura que defenderia a implementação das quotas,porque apesar de tudo, pior do que resolver de uma forma "forçada", seria não resolver.


Publicado por mestre andré às fevereiro 1, 2005 05:42 PM