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fevereiro 26, 2005
1 Al Berto
Espectáculo de Indução à poesia
A noite passada em Loulé, na Casa da Cultura
O Teatro na Estrada
Protagonizado pelo Marco que não gosta(va) do Al.
Berto!
Publicado por mestre andré às 10:22 AM
fevereiro 24, 2005
Outra vez a cultura...(II)
Para quem tem preguiça de clicar no link gostaria de citar uns excertos do jornal Região Sul sobre a participação de Anabela Moutinho (ex-presidente do Cineclube de Faro após ter suspendido o mandato para aceitar ser programadora da Capinal Nacional da Cultura para a área do Cinema) no debate organizado ontem na União de Sindicatos do Algarve subordinado ao tema "Cultura e Desenvolvimento":
Faro Capital da Cultura tem sido uma anedota". O Governo "não apoiou a estrutura de missão, nem a delegação regional do Ministério da Cultura; não houve formação, ou reforço de recursos humanos, técnicos ou logísticos".
(...)o próximo responsável pela tutela vai ficar com os "cabelos arrepelados" quando tomar conhecimento do estado da Faro Capital da Cultura.
"Sinto-me indignada com a forma como Faro e o Algarve, com tanta facilidade, são menosprezados, insultados e humilhados pelo Poder Central. Somos ainda os mouros."
"Na Faro Capital da Cultura temos a oportunidade de demonstrar quem somos: é fácil aplicarem-nos o epíteto, mas, efectivamente, a cultura algarvia não é conhecida. Este País vive de costas voltadas para o Algarve - o qual usa e abusa durante 60 dias, esquecendo os outros 300"
Sabemos então que este processo tem sido uma fantochada e um gasto de dinheiro escandaloso pois não existe projecto definido e assumido pela tutela (pode-se gastar muito dinheiro e ser bem aplicado e pode-se gastar pouco- porque pouco é o dinheiro disponível para a Capital da Cultura- e ser uma vergonhosa gestão danosa do erário público.)
Tivemos a confirmação pública (pela boca do próprio Comissário) que também foi uma fantochada a apresentação pública (indigna, diz ele), organizada à pressa (as entidades receberam todas o convite por fax no dia anterior) para efeitos eleitorais.
Se a isto juntarmos o facto de os projectos das entidades locais não terem chegado aos programadores (apesar de muitos até terem sido entregues em duplicado) pergunto-me, para quê que serve tal Capital?
Publicado por mestre andré às 10:36 PM
Outra vez a cultura...
Como pessoa que tem acompanhado de perto este processo, tenho-me contido o mais possível nos comentários à Capital Nacional da Cultura, com medo que coração me saia da boca...
No entanto, felizmente, outras pessoas com mais responsabilidade e conhecimento de causa não!
Publicado por mestre andré às 04:43 PM
fevereiro 22, 2005
Santana gosta é de eleições!
Santana é o tipo mais democratófilo que eu conheço:
Candidatou-se ao Sporting, deixou o Sporting para se candidatar ao PSD; candidatou-se à Câmara Municipal da Figueira e depois à de Lisboa, que abandonou para ser 1º ministro. Como não foi a eleições, fez todas as asneiras possíveis para ser demitido; candidatou-se às legislativas e quando se apercebeu que, se ganhasse, só se poderia candidatar daqui a 4 anos, fez tudo para perder...
Agora está na dúvida, candidata-se outra vez à Câmara ou à Presidência da República?
Publicado por mestre andré às 09:42 PM
fevereiro 18, 2005
Já tamos safos
Quem esteve na apresentação da Capital da Cultura também ficou a saber que Santa Maria estará a velar para que tudo corra bem...
Depois de Nossa Senhora de Fátima ter impedido o crude do Prestige de chegar às nossas costas só podemos acreditar que será uma festa bonita.
Publicado por mestre andré às 05:47 PM
Faro Capital Nacional da Cultura foi apresentada há alguns momentos...
A minha cabeça ainda roda como um turbilhão como tubilhão tem sido todo o processo: desde o adiamento (foi anunciada em 2001 que seria em 2004)), até ser re-anunciada por Pedro Roseta em Novembro de 2003 (para 2005) sem a respectiva afectação de meios (só foi nomeada a estrutura de missão em Julho de 2004, o comissário substituído em Outubro e só se instalou na sede em Janeiro deste ano), com data marcada para iniciar em Março, e depois Abril (30 de Abril!)
No discurso de hoje (pois foi um discurso, nada ou pouco foi apresentado, apenas alguns nomes de eventos e umas ténues linhas gerais) ouvimos dizer pelo senhor Secretário de Estado dos Bens Culturais “que cada vez estamos mais formatados, comemos pizzas e hambúrgueres” (o senhor é que veio de fato e gravata, num carro preto, lá da capital do império) e que só a cultura permite que as sociedades sejam menos manipuláveis e manipuladas.
Vamos a ver se a tempo de sair nos telejornais de hoje e nos jornais de amanhã…
Publicado por mestre andré às 01:40 PM
fevereiro 15, 2005
Dona Lúcia
Estas romarias que temos visto fazem-me lembrar Portugal nos documentários dos anos 50...
Não falo da religiosidade do país, falo do aproveitamento mediático, de uma forma primitiva (para não dizer bronca) da religiosidade de um povo e das suas personagens... Entrevistas como vimos ontem na SIC Noticias a quem de perto acompanhou a Dona Lúcia e reportagens com os crentes (atrevo-me a dizer) mais fanáticos, são um atentado à europeidade e modernidade deste país.
Que a senhora tenha visto alguma coisa, que acredite nisso, que haja muita gente que acredite nisso, que seja um ícone para muita gente, inclusivamente que seja noticia a sua morte é uma coisa. Que a abordagem dos noticiários não seja diferente da mostrada num filme (Fátima) que retrata uma sociedade portuguesa do século passado é uma coisa completamente diferente.
Mesmo na religiosidade deveriamos ser um povo mais evoluido...
P.S Já nem falo no aproveitamento politico-partidário feito de uma forma parola...deixo isso para outros que falarão com maior conhecimento.
Adenda: para ilustrar o "my point" espreitem o post Portugal no seu melhor no Papel de Parede
Publicado por mestre andré às 05:07 PM
fevereiro 14, 2005
Escola da Ponte (II)
Outro post sobre a Escola da Ponte aqui
Publicado por mestre andré às 08:07 PM
A Educação em Portugal
A propósito do post anterior, gostaria de referir que apesar deste projecto da Escola da Ponte ser "revolucionário" como forma de pensar a Escola, não é novo!Já vai fazer 30 anos! Nem sequer é unico em Portugal.
Apesar do projecto da Escola da Ponte estar mais desenvolvido, já nos anos 80, em Faro, na escola do Alto Rodes, eu, no ínicio da semana, fazia um plano do que queria fazer ao longo da semana (fichas de meio físico, de matemática, desenhos, textos, etc.) e à sexta fazia a sua avaliação, tendo de justificar quaisquer alterações (estive doente, baldei-me, estive entretido a desenhar mais do que a escrever, entusiasmei-me com as fichas de meio fisico...).
Tinhamos assembleias de escola regularmente, onde os assuntos de interesse de todos eram discutidos em plenário.
Tinhamos visitas de estudo, trabalhos de grupo,acompanhamento por vários professores (havia estagiários, mão de obra barata...), diferentes níveis de aprendizagem estabelecidos em função das necessidade de cada um e não em função do ano (de vez em quando "migrávamos" de turma/ano.
Havia um jornal escolar, impresso pelos alunos (naquelas gelatinas antigas, depois de montarmos os textos com um espelho na impressora à Guttenberg) e uma peça de teatro (cada semana preparava um grupo).
Direitos e deveres eram discutidos e estabelecidos em grupo e tinhamos de vez em quando até aulas de educação física.
E apesar de tudo isto (para horror de alguns pedabobos modernos) ainda tinhamos tempo para aprender... Sim, porque (parece incrivel mas é verdade) ao fazermos estas coisas estavamos realmente a aprender...Não é só uma utópica teoria esquerdista soissante-huitard...
Não estavamos apenas a aprender "os valores", a "solidariedade", o "gostar da natureza, dos bichinhos e das pessoas", o "raciocínio" (essa coisa que serve para tudo mas ninguem sabe como medir).
Também aprendiamos a ler, a escrever, a contar (de vez em quando pelo dedos) e todas essas coisas importantes que nos levaram hoje a ser juizes, professores, quadros de empresas, empresários, médicos entre outras profissões que é bonito ser (acho que a políticos, daqueles dos partidos, que sobem depois de lamber muitas botas ninguém chegou...nem todos os sistemas são perfeitos!)
Eu hoje fico é parvo, pensando como é que eu consegui aprender alguma coisa quando entrei para o ciclo (agora 5º ano) com aulas de 50 minutos, com 30 malfarros a olhar para a frente (na minha turma éramos 24 porque um de nós era meio surdo...), sempre a mudar de sala e de assunto.
Mas o que é mais estranho é que estes principios são defendidos pelos últimos 4 governos (se contarmos com 2 do PS e dois do PPD-PSD/CDS-PP), como podemos ver nos documentos das sucessivas "reformas" (de Marçal Grilo a David Justino, porque a esta ministra nem se lhe ouviu uma consideração sobre isto)
Uma escola inclusiva, que prepare para a vida, para o mercado de trabalho, para o mundo académico (e olhem que parece dificil juntar coisas que na cabeça de muitos são incompativeis), que promova os valores da cidadania, da saúde, do meio ambiente (e até da produtividade, mó!)
Pois, mas com turmas de 30 moços, não se vai lá, com percursos formativos iguais também não (até quando se fala noutros cursos, são todos iguais: em Olhão são para pescadores -espécie em vias de extinção- ou trabalhadores dos enlatados - outros que tais-, em Faro técnicos de informática ou administração- é o futuro dizem- e quando se quer algo mais exótico, animadores do ambiente, sócio-culturais, desportivos, geronto-animadores - o que é preciso é animar a malta-).
Com professores entulhados em tarefas burocráticas, idem idem, aspas aspas (sei do que falo sou director de duas turmas).
Com planos que passamos 3 meses a planear e depois arquivamos e deitamos fora no final do ano igual; com avaliações de escola e de processos pedagógicos que toda a gente tem medo e ninguém leva a sério (e os que as pessoas levam a sério e aparecem nos telejornais, são os que servem para pouco, vide o ranking das escolas); com exames nacionais a servirem de meta, não interessando o caminho a percorrer e principalmente, com medo de mudar ou quando se muda, muda-se a forma que o conteúdo é igual (e aqui são culpados todos, desde o primeiro ministro, aos professores, aos alunos e os seus encarregados de educação).
Já nem peço uma escola da Ponte no Ensino Secundário, mas apenas que estes exemplos, que já deram garantias, se multipliquem (e outros, que também existem!) nas escolas do Ensino Básico (para quem não sabe, do primeiro ao nono ano) e por este país.
Publicado por mestre andré às 06:40 PM
Escola da Ponte
É com agrado que vejo a noticia de que finalmente vai ser assinado o primeiro protocolo de autonomia entre o Ministério da Educação e uma escola. Estes protocolos estão já regulamentados desde 1998 e é pena termos de ter esperado 7 anos para um governo (já) demitido o ter assinado.
Ainda por cima o primeiro protocolo será com a Escola da Ponte uma escola emblemática quando se fala na Reforma da Escola.
A Escola da Ponte tem um projecto revolucionário (no bom sentido, não no sentido dessas revoluções neo-modernas de 360º graus) de uma escola democrática, onde todos os intervenientes do processo educativo verdadeiramente intervêm (professores, alunos, encarregados de educação, funcionários e até a restante comunidade).
Não existem turmas nem anos, e cada percurso escolar é adequado a a cada aluno, tendo em consideração os objectivos finais de cada Ciclo (e não de cada ano).
Um exemplo a espreitar por quem se interessa por estes assuntos da educação...
Publicado por mestre andré às 04:53 PM
fevereiro 08, 2005
Olha a Campanha
Este fim de semana em vez de ver o ínicio da campanha eleitoral (pois é, só agora é que começou, antes era só para aquecer...) fui a Castro Verde ao Entrudanças organizado pela Pé de Xumbo.
Olhem, dancei e não tive de aturar nem estes, nem estes. E se a minha avó soubesse que ao seu neto mais velho deu-lhe agora para ir bailar... As voltas que o mundo dá, ele que sempre gostou é de música mais moderna e agora olha!
E já só faltam 12 dias para as eleições...
Publicado por mestre andré às 11:50 PM
fevereiro 01, 2005
Das mulheres, das associações, e de outras coisas...
Enquanto escrevia último post comecei a divagar e a escrever e a escrever e a escrever... Como os posts devem ser pcaninos se quisermos ter a veleidade que alguem os leia, fiz um copy-paste-cut acabei o que estava a escrever e do paste saiu isto:
É bom relembrar que Portugal ainda é um dos paises com menores índices de associativismo, e se formos falar de associativismo não partidário, ui ui- é ver agora pessoas que nunca viram uma associação na vida a filiarem-se no PS (sobretudo homens, of course), quando há três anos, os mesmos ou parecidos se inscreviam no PSD... Felizmente, nas associações há cada vez mais mulheres e cada vez mais com mais responsabilidade (infelizmente há associações onde são os homens que começam a ser raros...)
Segundo o estudo referido no post anterior, as mulheres de sucesso inquiridas "revelaram também que o seu percurso foi gradual, não foi planificado e o grande benefício do êxito alcançado foi a realização pessoal e profissional". Já os homens penso que são mais interesseiros e "maquiavélicos". Talvez por isso o assalto aos partidos da onda a cada 4 anos. Por isso, estes tornam-se cada vez mais associações onde a maior parte das pessoas não está para contribuir para um bem comum (há excepções), mas sim para receber o seu bem da comunidade.
E as que conseguem singrar neste mundo, muitas vezes têm de se "hominizar" (vide por exemplo a Dama de Ferro Tatcher, ou cá em casa Celeste Cardona e Manuela Ferreira Leite).
Publicado por mestre andré às 08:08 PM
A (não) necessidade da quotas
Segundo um estudo da União de Sindicatos do Algarve, as mulheres que ocupam cargos importantes no Algarve, não estão de acordo com introdução de quotas para as mulheres.
Eu, que por princípio também acho que não (é uma vergonha para todos, mulheres e principalmente homens, se tal tiver de acontecer, pois significa que apesar de já começarmos a ter alguns anos de democracia, ainda não conseguimos resolver estes problemas óbvios) gostaria de tecer os seguintes comentários:
O inquérito foi realizado a mulheres de sucesso, que singraram na vida pelo seu proprio pé. Mas por cada uma que atingiu o sucesso, quantas ficaram pelo caminho?
Para a generalidade das inquiridas, a passagem pelo associativismo, o apoio da família, amigos e colegas, a persistência e a capacidade de diálogo foram factores determinates. E as que tiveram de ficar em casa após o primeiro filho, porque o marido não é homem para ficar em casa ou está muito ocupado, que não tiveram esse apoio dos familiares, que não foram suficientemente persistentes (sabendo que esta "persistência" requerida não é igual para homens e mulheres), ou sequer que nunca tiveram a oportunidade de pertencer a uma associação? E aquelas que depois de terem passado por muito decidiram "estar-se simplemesmente a cagar para isto" tal são os sapos que se têm de engolir?
Se o inquérito fosse realidado a estas, os resultados seriam os mesmos?
É bom que não nos baste este estudo (tipo se elas dizem que não, não vale a pena falar disso...) sabendo que não resolver estes problemas é contribuir para falência de um verdadeiro sistema democrático.
Sendo contra, seria com amargura que defenderia a implementação das quotas,porque apesar de tudo, pior do que resolver de uma forma "forçada", seria não resolver.
Publicado por mestre andré às 05:42 PM