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março 22, 2005
A gasolina que falta ao Farense
Ontem na Assembleia Municipal de Faro voltou-se a votar favoravelmente a cedência de um terreno para a construção de uma bomba de gasolina, depois de o tribunal ter decidido que a primeira votação era ilegal, pois o presidente da Assembleia, Gomes Ferreira, é simultaneamente presidente da SAD do Farense e não se mostrou preocupado com o evidente conflito de interesses, participando na mesma (assim vai a nossa democracia).
Durante muitos anos (e ainda hoje)os clubes substituiram-se ao Estado na formação e na dinamização desportiva dos portugueses, devendo este (e os portugueses) muito às associações que por todo o Portugal, muitas vezes por carolice, dinamizaram milhares de actividades desportivas e mobilizaram milhões de pessoas. Devido a este facto, desde sempre se fez "vista grossa" às dívidas dos clubes (apesar dos mais visados serem os clubes de futebol, também outros clubes desportivos têm dificuldades em pagar as suas obrigações fiscais).
No entanto, quando nos anos oitenta, terrenos públicos, cedidos alegadamente para a construção de infraestruturas desportivas, começam a ser vendidos pelos clubes para comprar jogadores de futebol e o dinheiro da sua venda nem sequer servir para amortizar as enormes dívidas, a Sociedade (contribuintes, votantes, políticos em geral e ministros das finanças) começou a já não achar graça nenhuma...
Por isso, inventou-se o Plano Mateus e o Totonegócio como forma de interromper o círculo vicioso (não posso pagar impostos porque não tenho dinheiro, que gasto na dinamização e formação desportiva, que o Estado não faz, porque não tem dinheiro, porque não pagam impostos) e criam-se as Sociedades Anónimas Desportivas, de caracter comercial, para não misturar Desporto-Negócio com Desporto-Formação ou Desporto-Saúde.
Assim, faz-me confusão que em 2005, numa cidade como Faro, que não prima pelo ordenamento do território nem pelos espaços verdes (o maior da cidade é o Campo de S. Luis e Jardim do Hospital) se ceda um terreno a um clube, que o cede a uma SAD, que o cede a uma gasolineira, para fazer uma bomba de gasolina que está a trezentos metros de outra.
Mais me faz confusão, quando o Presidente da Câmara tenta justificar que, se não for a Bomba de Gasolina, o terreno continua baldio e o ordenamento da zona "comprometido", pois o seu arranjo é de 1 milhão de euros, como se uma bomba de gasolina com canteiros fosse "ordenar" a zona e quando as pessoas ainda não se esqueceram que, a apenas a alguns metros, durante o Euro, se destruiu uma rotunda, bonita, com sobreiros plantados, para construir uma outra, com uma fonte que não funciona e que é popularmente conhecida por rotunda da VaGiNa (em homenagem aos seus criadores) ou mais vernáculamente por "Rotunda da Paxaxa".
Publicado por mestre andré às março 22, 2005 07:48 PM