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março 01, 2005

Outra vez a cultura...(III)

A Capital Nacional da Cultura Faro 2005 pretende ser um evento que marque o panorama cultural de Faro (e do Algarve), distinguindo um "antes da Capital" e um "depois"

O que temos visto é que nem há dinheiro (nem será o principal problema), e o que há corre o risco de chegar muito depois de 2005 (deixando os agentes culturais na penúria), nem há (houve) vontade política (o Comissário foi nomeado no Verão de 2004 e substituido pouco depois, só se instalando no Club Farense em Janeiro).

Para além disto, os programadores (bons, sem dúvida) não tiveram acesso aos projectos apresentados pelas entidades locais (uma semana antes da apresentação eleitoralista não tinham conhecimento dos projectos apresentados)

Os agentes culturais locais já disseram muitas vezes que não querem nenhuma benesse, tipo "quota local", mas mereciam que os seus projectos fossem pelo menos lidos. No entanto, a ignorância da quase totalidade dos programadores da realidade local levou a que estes projectos fossem menosprezados em relação a outros -ninguém está a imaginar um programador a pegar num telefone e dizer "Olga, não queres vir fazer uma residência artistica aqui na Ilha do Farol??" ou então "Ó Fiadeiro, que é que fazes para o ano? Nã queres vir cá dançar?"-

E os projectos ignorados não são obra de uns moços que querem fazer umas coisinhas...

Foram ignoradas coisas (entre outras) como um Festival de Jazz, um dos melhores do país, cujo Director Artístico é bom o suficiente para os mesmos programadores lhe encomendarem uma peça especialmente para a Capital; uma programação proposta pela Alliance Française com cachets e deslocações comparticipados pelo Governo Francês; um festival de folcklore de nível internacional; uma série de concertos por excelentes organistas europeus para o orgão da Igreja do Carmo; uma sala -das poucas que temos na cidade- que é tão boa que a própria Câmara lhe enviava as propostas que lhe chegavam e que com o excesso de programação (???) resultante deste envio levou a não lhe sejam mais passadas licenças provisórias, sendo necessário uma licença definitiva que a burocracia conseguirá lá para 2007...

O tempo urge e o programa definitivo ainda não está fechado. A ver se ainda vão a tempo de emendar a mão....

P.S. Acredito que será uma grande evento, o maior cultural no Algarve, que o panorama cultural até será melhor em 2006, mas que já se perdeu uma óptima oportunidade, já! O Euro também foi bom, mas o estádio continua a sugar 300 mil contos anos a duas câmaras e não existe (se calhar ainda bem) nenhuma equipa do Algarve de Futebol na Superliga nem quase ninguém usufrui do estádio nem desportiva nem culturalmente...


P.P.S Depois destes desabafos, espero encerrerrar por aqui os posts desalentados sobre este tema...é tempo de arregaçar as mangas e fazer o que os bifes chamam de "damage control".

Publicado por mestre andré às março 1, 2005 05:35 PM