« Noticia TVI | Entrada | Inauguração Faro 2005 Capital Nacional da Cultura »

abril 29, 2005

Polítiquices de merda...

Faro 2005: Agentes culturais criticam falhas divulgação a dois dias do arranque

Faro, 28 Abr (Lusa) - A dois dias do arranque da "Faro, Capital da Cultura 2005" as ruas da cidade estão sem informação sobre o calendário dos eventos, falha criticada por alguns agentes culturais da região. (...)

Os sucessivos atrasos e incógnitas na programação e calendarização dos eventos já levaram as direcções do Conservatório Regional do Algarve e da Fundação Pedro Ruivo a mostrar-se indisponíveis para colaborar com a iniciativa.
(...)
Maria de Jesus Bispo aproveitou ainda para criticar a festa que marca o arranque da "Faro 2005", no sábado, considerando que uma iniciativa desta envergadura "poderia ter uma inauguração com mais pompa e circunstância".

Por seu turno, o director do Conservatório Regional do Algarve, Justino Ramos, disse à Lusa que aquela instituição não vai "de forma alguma" colaborar com a iniciativa, dado que o processo "foi mal conduzido desde o início".

Mais compreensivo em relação às falhas na divulgação atempada dos eventos inseridos na "Faro 2005" está Paulo Cunha, director do Conservatório de Olhão e membro do Conselho Consultivo de Cultura da iniciativa.

Embora reconheça que a programação já devia estar na rua há muito tempo para acautelar o êxito da iniciativa, o músico considera que, face às dificuldades que a equipa tem enfrentado, ninguém faria melhor.

"Esta é a capital possível dentro da conjuntura em que se desenvolveu o processo", disse, numa alusão à substituição do anterior comissário e ao bloqueamento de verbas do Ministério da Cultura que durante algum tempo não permitiu avançar trabalho.

Faltam dois dias para começar, mas há sempre alguém que joga baixo...

Passo a explicar:

Justino Ramos é presidente da Concelhia de Faro do PSD e Director do Conservatorio Regional de Faro.

Maria de Jesus Bispo é sua esposa e Directora Regional da Educação do Algarve, colocada pelo PSD.

A sua (dele) filha, Ofélia Ramos faz parte da administração do Hospital Distrital de Faro depois de uma passagem fulgurante como Delegada Regional da Educação...

O parágrafo anterior foi só para contextualizar agora vamos ao que interessa:
- Há uns tempos a Fundação Pedro Ruivo e o Conservatório do Algarve organizaram um encontro de associações culturais... Linhas de força do discurso da organização: "é importante que as associações se unam... façamos uma federação... enviem-nos os vossos programas anuais para nós encaixarmos nos nossos" sempre numa perspectiva Conservatório-ruiviano-cêntrica;

- O Conservatório tem uma das melhores salas do Concelho, e uma boa e regular programação externa, mas aluga-a a preços proibitivos para as associações do Concelho (sala esta feita com dinheiros totalmente privados?). As associações têm uma lógica de entreajuda, nunca percebida pela Fundação e pelo Conservatório, trabalhando numa rede que estes nunca quiseram integrar...

- As associações do Concelho têm-se reunido e debatido regularmente a situação cultural do concelho (e mais agora o "affaire" Capital Nacional da Cultura) e apesar de algumas divergências de pormenor, têm uma opinião coesa sobre este evento (reflectida mais ou menos na posição de Paulo Cunha, eleito por estas como seu representante no seio do Conselho Consultivo da CNC2005). Nunca o Conservatório ou a Fundação estiveram presentes nestas reuniões (por vontade própria)

- O Conservatório e a Fundação foram as primeiras a "saltar do barco" há já algum tempo, saindo para os jornais a dizer que não concordam com nada e que tudo estava mal. Esta posição saída agora é um "deja vu" com intuitos políticos (caseiros) mediáticos...

- As associações do Concelho têm criticado construtivamente a iniciativa ("arrasando" o que consideram mal, aplaudindo o que consideram bem e sugerindo modificações sobre o que é passivel de ser modificado) no âmbito da Estrutura de Missão (entidade que organiza a CNC2005), não se abstendo todavia de responder aos média (que têm o papel de informar os algarvios, afinal os principais consumidores e pagadores desta iniciativa)

- No entanto, participam na iniciativa (de várias formas), pois creêm que esta é uma boa oportunidade para aprender o que não se deve fazer em política cultural (assim como o que se deve fazer...), e que, para o bem e para o mal, esta é (ou poderia ter sido) uma iniciativa de vital importância no panorama cultural regional...

Sendo curto e grosso:

Quando é que vamos ter políticos de jeito na nossa terra mó!!?

P.S. Não se pense que é caso único, políticos destes encontram-se em todos os quadrantes...estes é que foram apanhados hoje a jeito...

P.P.S.Mais uma vez a sociedade civil "dá um baile" aos politicos profissionais...

"escritos" antigos sobre este assunto aqui, aqui e aqui

Por uma democracia participativa!!!

Publicado por mestre andré às abril 29, 2005 09:55 AM