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maio 18, 2005

Eleições à vista

Muitos posts se têm escrito a favor da candidatura de José Apolinário à Câmara Municipal de Faro. Pelo menos um blog foi criado com esse propósito e muitos apoiam-no declaradamente. Existem ainda alguns que nem devem ser particularmente a favor de Apolinário mas são contra a politica do José Vitorino. E era sobre o nosso actual presidente que eu gostaria de escrever:

Em meu entender José Vitorino não é propriamente um dos políticos mais inteligentes da nossa praça e tem uma visão global limitada da Cidade e do que deve ser uma cidade no século XXI;

Tem uma forma de trabalhar muito pouco democrática e muito centralizadora (não há nada onde não dê opinião, até sobre a estética dos cartazes para actividades que nem são organizadas pela sua instituição) que poderá funcionar numa junta de freguesia mas que não se coaduna a uma cidade de 60 mil habitantes (ainda por cima com uma massa crítica relativamente elevada para a nossa realidade regional)

Em termos culturais, a cidade tem regredido desde os tempos da vereação de Augusto Miranda (até aqui se evidenciam as diferenças: ao Vereador da Cultura os assuntos da Cultura, não ao Presidente, que não tem o pelouro). Apesar de alguns passes de politica barata (como o "meter" dentro do Conselho Consultivo da Capital Nacional da Cultura um representante das associações locais, uma vitória de Pirro, uma vez que este "Conselho" só reuniu uma vez, e foi para ouvir e não para ser consultado), nem sequer consegui aproveitar a (confusa, para não dizer outra coisa) Capital Nacional da Cultura como evento cultural estruturante do Concelho (e aqui as suas responsabilidades são mais restritas, apesar de as ter...)

Em termos desportivos, idem. Por exemplo, o trabalho realizado pelo professor André Ferin foi completamente destruído. Recordo que há data das últimas eleições existiam à disposição dos munícipes, organizado pela câmara, com professores de educação física a orientar, várias sessões de actividade física organizada (Voleibol, Desportos colectivos em geral, dança, aeróbica, desportos náuticos, etc). Hoje depois de uns anos de abandono, temos o Centro Náutico em obras, (para inaugurar antes das eleições com certeza) mas sem se saber como vai funcionar. Este deveria ser um ex libris da cidade, símbolo da sua (inexistente mas muito propalada) união com a Ria.

E pior, como é que se pode falar de deitar abaixo as casas da Praia e depois a CMF constrói uma nova casa de tijolo e cimento. Neste caso era uma importante mensagem politica a construção de um eco-centro nautico (talvez em madeira, talvez sobre estacas...).

E não me digam que se gastava muito dinheiro, porque qualquer observação ligeira das estatísticas nacionais demonstram que por muito que se gaste investindo na promoção hábitos de vida saudável, gasta-se sempre mais não se investindo (doenças, dias de trabalho perdidos, perdas de produtividade, etc). E só estou a falar a um nível económico!


Neste dois casos não é com uma politica de subsídios (este ano seguramente abundantes, mas perguntem sobre os dos anos anteriors)pontuais à Sociedade Civil (associações, clubes, etc.) que se resolvem os problemas e que se define um rumo, mas sim com uma politica activa coordenada com os outros parceiros (inexistente, haviam de ver uma reunião entre a CMF e qualquer associação ou clube)

No entanto, não nos podemos esquecer que nos últimos executivos camarários PS a cidade ficou feia: nem mantivemos os nossos bairros históricos (existem casas à venda em S. Francisco, cujos donos só as vendem a construtores para poderem ficar depois com um andar), nem conseguimos ordenar os bairros construídos de raiz (ao pior nível do anos oitenta) e consequentemente o trânsito tem piorado (lembro-me da minha mãe a protestar com os 4/5 carros que estavam à sua frente, em plena hora de ponta na rotunda do Hospital, hoje nem ela se aproxima de lá).

Apesar da anedota das laranjeiras, e de não ter conseguido travar a destruição dos bairros históricos da cidade (nem tem feito muito por isso, não é com atitudes passivas que se resolvem estes problemas) agora, pelos bairros periféricos de Faro estão a ser construídos campos polidesportivos e jardins.

As ruas estão floridas, a Alameda está em obras. José Vitorino tem razão quando diz que podem criticar a Pista de Atletismo e o Pavilhão mas o facto é que estão avançar.

Não vale a pena projectar a Cidade no futuro, como centro estratégico do Algarve e tal e coiso se esta não estiver bonita, ordenada e as pessoas gostarem de nela viver! As redes, as importâncias culturais, desportivas e económicas, constroem-se e destroem-se mais facilmente que a merda arquitectónica que se faz (e se fez). Estas só caem com um tremor de terra!

E estas “pequenas” coisas fazem ganhar e perder eleições (como o antigo presidente, Luís Coelho sentiu na pele).

As pessoas não são parvas e não se deixam convencer com demagogias, deixam-se convencer com coisas simples.

Publicado por mestre andré às maio 18, 2005 02:01 PM