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junho 12, 2005

Trancas na porta da casa roubada com as janelas abertas

Depois do "arrastão" de Carcavelos e do "quase arrastão" em Quarteira o Governo anuncia o aumento da segurança nas Praias!!!

Ao longo dos anos tenho trabalhado com populações "especiais" (jovens de bairros sociais) em diversos projectos de educação formal e não formal, e o que tenho visto é que por cada passo em frente, normalmente dão-se dois para o lado e um enviosado para trás:
- cria-se a comissão de protecção de menores e esta é constituida em puro voluntariado;
- criam-se programas de apoio e estes, depois do "show off" mediático da sua apresentação são subfinanciados e menosprezados;
- as instituições de acolhimento estão a abarrotar e muitas têm "critérios duvidosos" para receber jovens;
- às escolas, mais uma vez, imputa-se a responsabilidade da integração social quando esta nem para as populações ditas "normais" consegue dar resposta...

Há uns anos, trabalhei em Quarteira, no subvalorizado e subfinanciado projecto Club Bus. Cheio de parcerias entre a Casa de Cultura de Loulé, a Camara Municipal, a Segurança Social, a Direcção Regional da Educação, entre outras instituições, consistia no desenvolvimento de uma Associação Juvenil num bairro social.

Seria uma forma de desenvolver actividades de animação e intervenção sócio-cultural numa população marginal e com poucas oportunidades sociais. Não seria apenas organizar actividades para os jovens mas com eles, capacitando-os para o seu próprio desenvolvimento e integração.

Depois de uma bonita festa de inauguração, cheio de personalidades, o projecto só se foi aguentando porque a Casa da Cultura de Loulé, a única das instituições que não tinha uma responsabiilidade institucional directa, pagou do seu próprio bolso muitas das despesas e contou com o apoio da Câmara...Hoje, não sei como está o projecto, mas penso que se foi transformando e adaptando às dificuldades.

Lembrei-me deles quando ouvi as noticias dos "arrastões"... E lembrou-se também uma antiga companheira do Club Bus que comentou: "...quiseram poupar uns miseros 80 contos por mês na contratacção em part-time de um educador? Agora, berram..."

Publicado por mestre andré às junho 12, 2005 10:52 PM