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julho 11, 2005
Nem tudo o que sai no jornal é noticia...
Depois de se ver esta reportagem de Diana Andringa não se pode continuar a ver os jornais (e principalmente as notícias "pret-a-porter" dos telejornais) de uma forma acrítica. Já não podemos continuar a dizer que a manipulação da imprensa se faz apenas nos paises com regimes ditatoriais do 3º mundo, ou nas teorias da conspiração vindas dos Estados (destrambelhados) Unidos da (delirante) América.
Já há alguns anos, em Portugal, ouvia que "uma estação de TV pode vender tudo, desde pastas de dentes a Presidentes da República". Na altura não acreditei muito (e devia ser basófia, ainda não tinham tanto poder assim).
No entanto, na (segunda) guerra do Iraque, o chamado "Pensamento Único" foi-se entranhando nos média portugueses e simples jornalistas passaram a ser administradores de grupos de mass media e administradores passaram a ser colunistas, e colunistas confundiam-se com jornalistas. Apareceu uma nova "classe": os comentadores "de estado" (os "experts" enviados pelo Ministério da Defesa de Paulo Portas para tudo o que era televisão para matraquearem a versão "oficial").
Depois, soube-se que a TVI foi pressionada por um governo para calar a voz, muitas vezes incómoda, do prof. Marcelo (também ele um "guru" da tele-evangelização dominical).
Desta vez, penso que ainda não se chegou ao ponto de se manipular a informação por encomenda directa de algum poder político ou económico, mas a necessidade da manchete para vender trinta minutos de telejornal ou manter as tiragens dos jornais (porque é que as noticias sobre segurança só aparecem no verão?) leva a que se tranforme um incidente (20 ou trinta moços, pretos, na praia, com comportamento agressivos como os grupos de adolescentes podem ser) num gigantesco arrastão, como nem no Brasil se poderia organizar...
P.S. Diana Andringa não é uma novata à procura de protagonismo ou uma estagiária a seis meses sem remuneração. É uma jornalista reconhecida pelos seus pares, antiga Presidente do Sindicato dos Jornalistas e uma das vozes que mais pugna pela qualidade do jornalismo em Portugal.
Publicado por mestre andré às julho 11, 2005 03:16 PM