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dezembro 06, 2005
Ler Alto
Há quem leia baixinho, há quem não leia de todo, mas há uns moços que lêem alto nas primeiras sextas de cada mês, no Artistas em Faro.
Lêem o que escrevem, mas quem não escreve pode ler o que outros escrevem...
O Ferraz escreveu um poema a apresentá-los:
LerAlto
Ler de alto para baixo
Ler lentamente ou bem depressa
Ler para cativar a atenção dos ouvintes ou sussurrar bem baixinho para não se comprometer
Ler com ternura a poesia de uma criança
Ler a língua que se sabe ou a língua que não sabe e o nariz que ajuda
Ler os cheiros e parar para degustar a fruta fresca desta Primavera
Ler recados pela manhã estrategicamente colocados ao lado da cafeteira de café
Ler lábios e parar de ler porque o beijo se embrulhou consoante as vogais
Ler linhas na palma da mão que dá prazer quando toca o sexo
Ler a pauta de música onde figuras cantam ritmos e melodias que querem voar outra vez, imitando a sinfonia de um bando de aves que poisa agora em meus ombros
Ler os teus lagos de lágrimas onde mergulho e respiro embriagado o frémito do desejo
Ler a teoria e dançar a prática
Ler a palavra que falta
Ler a idade numa escarpa oblíqua
Ler a sentença de uma morte anunciada tatuada nas rugas de um Poema que agora Nasceu
Publicado por mestre andré às dezembro 6, 2005 12:32 PM