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junho 09, 2006

O Estatuto da Carreira Docente


O problema não é a avaliação pelos pais (que vai contar pouco, isto se eles vierem à escola mas serve para desviar a atenção dos media e dos comentadores), não são os 97% de assiduidade (que de tão rídiculo e discriminatório vai acabar por cair) não é o aumento da carga horária do Secundário e do Ensino Especial (apesar de ir diminuir em cerca de 4000 os professores contratados), mas, a meu ver, é criação de uma "aristocracia" de professores (ainda por cima uma "aristocracia falida" pois apesar de ganharem mais vão ser pau para toda a obra) em oposição a uma maioria (os convocados mas não titulares, usando uma terminologia da propria da época futebolistica que se vai iniciar) que não servirá nem para coordenar o que quer que seja (e estamos a falar de docentes com 10, 15, 18 anos de serviço e até mais).

Mais de dois terços dos professores atingirão o topo de uma (meia) carreira aos doze anos e são tratados como uns incapazes até conseguirem dar o salto para a "titularidade"

Vão copiar o modelo das Universidade, que são o mundo mais cão que eu tive ocasião de conhecer (mais até que a política), onde se se pode lixar o parceiro lixa-se, onde se compram lugares e votos, e onde pelos vistos não se formam licenciados de jeito (até vão ter de fazer um exame aos licenciados candidatos a professor...)

Não conseguiram pôr os gestores na escola, mas vão acabar com toda uma estrutura colegial, de parceria, horizontal...

O que está na moda são estrutura hieraquizadas, piramidais, tal qual como as mais vetustas e elefantinas empresas da nossa praça...

Publicado por mestre andré às 01:51 AM | Comentários (0)

junho 07, 2006

32 anos e ainda não aprendeu!

"Como é possivel que um país católico como Timor tenha um primeiro ministro muculmano?"
Miguel Relvas, Deputado do PSD- SIC Notícias (Frente-a-Frente Jornal das 9) 29/05/06

Não sei se é esta a causa dos problemas de Timor (parece-me que tem a mais a ver com outro "Deus", mais líquido e escurinho), mas que um deputado português (ainda por cima que já teve responsabilidades governativas) não saiba a diferença entre Estado e Igreja, é sintomático dos problemas de Portugal...

É o insucesso escolar da nossa Democracia.

Publicado por mestre andré às 09:18 AM | Comentários (0)

junho 05, 2006

Escola, escola, quem és tu? *

Não quero tornar isto um "blog de classe" mas não registo a copiar um texto que me chegou, ainda sobre a Educação:

Aspectos que toda a gente parece ignorar sobre a PROFISSÃO de PROFESSOR e que será bom esclarecer:

1º. Esta é uma profissão em que a imensa maioria dos seus agentes trabalha (em casa e de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias! Férias, sim, e sem eufemismos, que bem precisamos de pausas ao longo do ano para irmos repondo forças e coragens. De resto, é o que acontece nos outros países por essa Europa fora, às vezes com muito mais dias de folga do que nós: 2 semanas para as vindimas em Setembro/ Outubro, mais duas para a neve em Novembro, 3 no Natal e mais 3 na Páscoa , 1 ou 2 meses no verão.

2º. É a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado (também neste caso, exigirá a senhora Ministra um pré-aviso com 5 dias de antecedência?)

3º. É uma profissão que exclui devaneios do tipo “hoje preciso de sair meia hora mais cedo”, ou o corriqueiro “volto já” justificando a porta fechada em horas de expediente.

4º. É uma profissão que não admite faltas de vontade e motivação ou quaisquer das 'ronhas' que grassarão, por exemplo, no ME (quem duvida?) ou na transparente AR.

5º. É uma profissão de enorme desgaste. Ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava na 2ª posição, a seguir aos mineiros, mas isto, está bom de ver, não convém a ninguém lembrar… E olhe que não, senhor secretário de estado, a escola da reportagem da RTP1 não é, nem de longe, caso “único, circunscrito e controlado”!

6º. É uma profissão que há muito deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente. Pelo contrário, todos os dias somos agredidos – na nossa dignidade ou fisicamente (e as cordas vocais não são um apêndice despiciendo…) , enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados, na nossa pessoa e no nosso trabalho, em todas as frentes, nomeadamente pelo “patrão” que, passe a metáfora económica tão ao gosto dos tempos que correm…, ao espezinhar sistematicamente os seus “empregados” perante o “cliente”, mais não faz do que inviabilizar a “venda do produto”

7º. É uma profissão em que se tem de estar permanentemente a 100%, que não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais …

8º. É uma profissão em que, de 45 em 45, ou de 90 em 90 minutos, se tem de repetir o processo, exigente e desgastante, quer de chegar a horas, quer de "conquistar" , várias vezes ao longo de um mesmo dia de trabalho, um novo grupo de 20 a 30 alunos (e todos ao mesmo tempo, não se confunda uma aula com uma consulta individual ou a gestão familiar de 1, 2, até 6 filhos...)

9º. É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção. (Batemos aos pontos as competências exigidas a qualquer dos nossos milionários bancários, dos inefáveis empresários, dos intocáveis ministros! Ao contrário deles, e como se não bastasse tudo o que nos é exigido (da discrepância salarial e demais benesses não preciso nem falar) …

10º. ainda somos avaliados, não pelo nosso próprio desempenho, mas pelos sucessos e insucessos, os apetites e os caprichos dos nossos alunos e respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do nosso país!

Assim, é bom que a “cara opinião pública" comece a perceber por que é que os professores "faltam tanto":
Para além do facto de, nas suas "imensas" faltas, serem contabilizadas também situações em que, de facto, estão a trabalhar :
- no acompanhamento de alunos em visitas de estudo,
- em acções, seminários, reuniões, para as quais até podem ter sido oficialmente convocados,
- para ficarem a elaborar ou corrigir testes e afins , que não é suficiente o tempo atribuído a essas tarefas ,
- ou, como vem sucedendo ultimamente, a fazerem (em casa, que é o sítio que lhes oferece condições) horas e horas não contabilizadas do obrigatório “trabalho de escola”….

Para além disto, e não é pouco, há pelo menos, como acima se terá visto, toda uma lista de 10 boas e justificadas razões para que o façam.

uma professora que, por achar que - em termos de políticas educativas e laborais deste governo dito socialista – estamos muito pior que no tempo do Salazar , não arrisca identificar-se…


* Título de um livro de pedagogia já com alguns aninhos mas que faria bem à nossa equipa ministerial ler...

Publicado por mestre andré às 10:22 AM | Comentários (0)

junho 01, 2006

Os professores

Primeiro, lixaram os professores do 1º Ciclo, não os compensando pelas reduções que não têm ao longo da carreira, mas eu, como não era do 1º Ciclo, não liguei;

Depois, atrasaram as reformas de quem se estava para reformar, mas como ainda me faltava muito tempo para a reforma, não liguei;

A seguir, acrescentaram umas horas ditas não lectivas, mas como eu já trabalhava nessas horas (muito para além daquilo que eles pediam) também não liguei;

Pelo meio, deram cabo de um modelo de estágio por razões economicistas, sem avaliar se este era bom ou mau, e deixaram os alunos finalistas à beira de um ataque de nervos a 2 meses de se iniciar os estágios, mas eu, como não era finalista nem orientador de estágio, não liguei;

Depois, congelaram as carreiras, mas devido a dois anos bissextos e alguma coincidência, subi de escalão um dia antes do congelamento e também não liguei;

Ainda há pouco, admitiram que não conseguem controlar a qualidade dos cursos superiores que financiam e precisam de um exame nacional para aferir a qualidade dos licenciados em ensino que querem concorrer a professor. Não contentes, ainda prometem uma entrevista aos 40 mil candidatos (a realizar em quanto tempo??) "destinada à avaliação do perfil psicológico do candidato à função, tendo em conta os perfis de competência determinados legalmente". Como eu já sou do quadro, estranhei mas não liguei;

Agora, querem de uma assentada acabar com a gestão democrática da escola (dando a volta ao parecer do Tribunal Constitucional), congelar carreiras devido a uma política de quotas na avaliação dos professores (e em que um professor é considerado Excelente ou Muito Bom em função do Orçamento de Estado), e depois de nos últimos anos nem sequer terem conseguido organizar um concurso como deve ser (gastando só num dos anos mais de 200 mil contos em tarefeiros para ordenar as asneiras que fizeram) vêm insultar todos os professores dizendo que a culpa do insucesso escolar é deles!

Os mesmos professores que atendem os telefones quando os alunos ligam para tirar dúvidas;, que participam em concursos nacionais com os alunos apesar de ningém lhes pagar as hora a mais; vão a visitas de estudo, durante fins de semana e ainda têm de pagar as viagens do seu próprio bolso; são vítimas de violência por parte de alunos e respectivos encarregados de (des)educação e que por todo o país inventam as condições que o Ministério não lhes dá.

No meio de todo este Golpe de Estado, só se fala da possibilidade de os pais irem avaliar os professores! Como se eles viessem à Escola!! Como já ouvi dizer, se isto servir para que, pelo menos passem pela porta de entrada, nem que seja para preencher um totobola de professores, já não é mau...

Mas depois de vilpidiados, enxovalhados, insultados, nem nós nos conseguimos valer...

Publicado por mestre andré às 12:25 AM | Comentários (1)